E quando a arquitetura reforma vidas? É isso que a Decor Social faz.

Desde 2018, o projeto atua na gestão e execução de projetos de espaços de convivência ou moradia de jovens em situação de vulnerabilidade social.

Já são mais de 15 mil m² reformados e 312 ambientes decorados, pensados para promover acolhimento, desenvolvimento saudável, segurança e pertencimento.

Todo projeto começa com escuta. A metodologia da Decor Social parte de ouvir jovens, colaboradores e organizações para compreender as necessidades, vivências e particularidades de quem ocupa aquele espaço. Porque transformar um lugar para o outro começa pelo respeito ao olhar de quem vive ali.

A partir daí, uma rede de arquitetos, designers, paisagistas, empresas, parceiros e voluntários entram em ação e colocam seus conhecimentos e criatividade a serviço de um propósito comum. Um exemplo de como diferentes saberes podem se encontrar para transformar realidades.

É justamente neste ponto que o Mandarina e o Decor Social se conectam. Ambos trabalhamos para promover a equidade social e temos a certeza de que arquitetura, design e decoração podem ir muito além da beleza: gerar renda, preservar saberes, fortalecer comunidades e melhorar a vida das pessoas.

Quer fazer parte também? Acesse o site www.decorsocial.org.br, conheça mais sobre o projeto e descubra como apoiar com planos de doação a partir de R$30 mensal e benefícios também para quem doa. Transformar espaços também é cuidar de pessoas e reformar realidades.

A conexão do Instituto Mandarina com a arquitetura faz parte da nossa história. Nossa fundadora, Neila Larangeira, é arquiteta e sempre cultivou um olhar atento para ambientes bem pensados, especialmente para aqueles que incorporam peças com identidade e propósito, capazes de gerar renda e valorizar o trabalho de artesãos.

Esse olhar se traduz em diferentes iniciativas do Mandarina: na proximidade com o Artesanato da Bahia, nas visitas a Maragogipinho, um dos mais importantes polos de cerâmica da América Latina, e no incentivo a projetos sociais que promovem o aprendizado de trabalhos manuais, como os desenvolvidos pelas Obras Sociais Irmã Dulce por meio do Centro Educacional Santo Antônio.

O nosso olhar está sempre voltado para a valorização do fazer manual e iniciativas que promovem a sustentabilidade. Por isso, visitar a CASACOR Bahia 2026 foi também um exercício de reconhecimento: encontrar, em diferentes ambientes, escolhas que dialogam com valores que fazem parte do nosso trabalho.

Foram dois meses de exposição no Convento da Mercês, na Avenida Sete, em Salvador. Uma construção com mais de 300 anos de história que foi berço para 47 ambientes criados por arquitetas(os) que manifestaram seus repertórios e perspectivas sob o tema “Mente e Coração”.

Ao longo da visita, encontramos soluções, materiais, objetos e histórias que conversam diretamente com a visão de mundo do Instituto Mandarina e selecionamos algumas para compartilhar aqui com vocês.

LOJA ARTESANATO DA BAHIA
Não tem mais como pensar em decoração, especialmente na Bahia, sem pensar em agregar valor ao ambiente através de peças artesanais. Peças de Maragogipinho e até feita em homenagem à região como o quadro abaixo, e outros lugares, estavam no leque de opções que os visitantes da CasaCor poderiam levar para casa e agregarem identidade ao seus espaços também.


LOJA MENINOS REI
Identidade, moda e arquitetura falam a mesma língua e a marca baiana Meninos Rei esteve presente na CasaCor com um espaço que não poderia ser diferente: criativo e cheio de personalidade, transpirando modernidade e identidade entre cores, materiais naturais e outros elementos que dialogam com a cultura afrobrasileira.

 

ECODESIGN
A Plasticaria chamou atenção pela proposta sustentável e estética atraente ao transformar resíduos plásticos descartados em móveis interessantes, como mesa e porta, mas, também, em obra de arte que ganhou o Prêmio Plasticaria promovido pela empresa.

O publicitário Lucas de Ouro recebeu o primeiro lugar com uma obra que a olho nú não era possível perceber, mas, com uma certa distância ou através da câmera do celular, as peças na parede ganhavam forma e davam vida ao olhar de Monalisa.

ESTULTURAS SUSTENTÁVEIS DE MADEIRA
A arte de Luciana Bittencourt esteve em um dos ambientes da CasaCor como um grande coração produzida a partir de raízes recolhidas em áreas da Chapada Diamantina atingidas por desmatamento.

Além disso, os arquitetos premiados por seus ambientes receberam troféus únicos feitos pela artista, cada um com sua própria forma. A iniciativa está ligada ao eixo de sustentabilidade adotado pela mostra nesta edição, marcada pela realização de um inventário de emissões com a metodologia GHG Protocol e pela publicação do primeiro relatório ESG do evento.

RELEITURA ARTÍSTICA
As esculturas de Eloisa Ugolini, feitas de livros, foram expostas no ambiente assinado pelo arquiteto Hugo Ribeiro e encantaram por valorizar de forma lúdica a leitura e disseminar uma ideia artística como solução para livros que não serão mais lidos, mas podem seguir atribuindo valor.

ESPAÇO EM HOMENAGEM À VIK MUNIZ
O Mandarina é apreciadora de Vik Muniz e já divulgou o trabalho do artista em outros conteúdos. Essa sinergia com as cores e formas das duas obras voltou o nosso olhar para o ambiente criado em sua homenagem pelo arquiteto Alex Sá. Além dos quadros e pertences pessoais de coleções cedidas por Vik, o espaço também foi marcado pela presença de móveis desenvolvidos pelo artista com forma de itens de costura, como pufes, mesas de centro e laterais em forma de almofadas de alfinete, botões e carreteis.


 
EXPOSIÇÃO DE AURELINDO DOS SANTOS
Além da homenagem a Vik Muniz, outro artista também foi prestigiado: Aurelino dos Santos, nascido em 1942, em Salvador. De maneira autodidata, ele desenvolveu uma linguagem artística muito própria, marcada por formas geométricas, cores vibrantes e representações singulares da paisagem urbana.

A presença da exposição de Aurelino na CASACOR Bahia reforça a importância de valorizar os artistas da casa e as diferentes formas de produzir e compreender a arte.

OUTROS AMBIENTES, IDEIAS E ALTERNATIVAS SUSTENTÁVEIS
O Instituto Mandarina esteve por três dias visitando os espaços, registrando e apreciando toda a estrutura do evento para trazer uma curadoria alinhada com os nossos valores para inspirar quem nos acompanha também por aqui.

 
Assim como alternativas sustentáveis que pudemos ver na CASACOR Bahia revela uma arquitetura como ferramenta de transformação para construir um mundo mais consciente. O Instituto Mandarina faz questão de parabenizar o desenvolvimento de um evento dessa magnitude com um olhar atento para as necessidades ambientais e sociais, indo muito além da estética.

Para quem gosta de artesanato, Maragogipinho é um prato cheio.

O distrito de Aratuípe, na Bahia, fica próximo à Ilha de Itaparica. Para quem vem de Salvador, depois de atravessar o ferry, são menos de duas horas de carro até chegar a um dos maiores polos de cerâmica da América Latina.

Logo na entrada, bonecas de barro com a pintura típica do lugar recepcionam quem chega. Basta seguir pela entrada indicada para chegar na praça central, onde estão a Pousada Ponto Chic, dois restaurantes que servem moquecas para um almoço delicioso, um ponto de açaí e algumas olarias. Logo ao lado, a vista para o rio também encanta, assim como a vista para a tradicional igrejinha branca e azul.

Há quatro anos, sempre em novembro, Maragogipinho recebe o Festival de Cerâmica, organizado pelo Artesanato da Bahia. Durante o evento, a praça e as olarias se transformam em espaços de celebração da cerâmica local, com a presença dos próprios artistas artesãos, além de artistas musicais, como Lenine, Sandra de Sá, Luiz Caldas e Jau, que já passaram pelo palco.

Com o interesse crescente, um ano antes do festival a pousada tem lista de espera para reserva. Neste caso,  para quem quer se hospedar por perto, uma alternativa é a cidade vizinha: Nazaré das Farinhas, a 10 km de Maragogipinho. melhore o texto

Um acervo que valoriza o fazer local

O acervo de artesanato do Instituto Mandarina reúne diversas peças produzidas em Maragogipinho. A curadoria, feita por arquitetos, selecionou cuidadosamente peças que, juntas, representam mais de R$ 5.000 investidos diretamente no comércio local.

E tem para todos os bolsos: há artesanatos de R$ 3 e R$ 5, muitos na faixa entre R$ 10 e R$ 50, até peças que chegam a R$ 350, como enormes vasos de barro.

Ao todo, são mais de 120 olarias espalhadas pela região. Depois de algumas visitas, selecionamos cinco das nossas preferidas para quem quiser conhecer Maragogipinho e descobrir de perto o trabalho dos artesãos locais:

Olaria Santo Antônio: Diversidade de peças que variam entre artesanatos mais típicos, como moringas, figas e panelas de barro, como itens mais criativos como um vaso em formato de mão, como segurassem as flores que podem ser depositadas ali.

Olaria da Taty: Você pode encontrar peças mais delicadas e com pinturas diferenciadas, como pátina em peças de barro.

Olaria Porta Estreita: Peças divertidas e cheias de cores, mensagens e símbolos, como os pratos com frases, itens com a temática do mar e também de orixás.

Olaria do Miro: Muito conhecida por peças robustas, como vasos de barro com mais de 1m e pratos com texturas e cores que chegam a 60 cm de diâmetro.

Olaria Ponto Chic:
Utilitários marcado por listras e cores, como vasinhos, pratos, porta-treco e incensários.

Para quem quer conhecer mais de perto e acompanhar o processo de produção das peças de barro, também é possível fechar uma vivência com artesãos, que mostram todo o processo, desde a preparação da argila e a criação da peça no torno até a queima. Alguns dos fornos utilizados têm mais de 200 anos e cerca de 20 m², onde são produzidos grandes vasos de barro.

Maragogipinho é um lugar que preserva a cultura através da arte, passando de geração em geração.

Mais do que levar uma peça bonita para casa, visitar Maragogipinho é conhecer quem faz, entender o processo e colocar o dinheiro diretamente na cadeia que mantém esse saber vivo. Por isso o Instituto Mandarina é fã e apoia a valorização da região.