Para quem gosta de artesanato, Maragogipinho é um prato cheio.

O distrito de Aratuípe, na Bahia, fica próximo à Ilha de Itaparica. Para quem vem de Salvador, depois de atravessar o ferry, são menos de duas horas de carro até chegar a um dos maiores polos de cerâmica da América Latina.

Logo na entrada, bonecas de barro com a pintura típica do lugar recepcionam quem chega. Basta seguir pela entrada indicada para chegar na praça central, onde estão a Pousada Ponto Chic, dois restaurantes que servem moquecas para um almoço delicioso, um ponto de açaí e algumas olarias. Logo ao lado, a vista para o rio também encanta, assim como a vista para a tradicional igrejinha branca e azul.

Há quatro anos, sempre em novembro, Maragogipinho recebe o Festival de Cerâmica, organizado pelo Artesanato da Bahia. Durante o evento, a praça e as olarias se transformam em espaços de celebração da cerâmica local, com a presença dos próprios artistas artesãos, além de artistas musicais, como Lenine, Sandra de Sá, Luiz Caldas e Jau, que já passaram pelo palco.

Com o interesse crescente, um ano antes do festival a pousada tem lista de espera para reserva. Neste caso,  para quem quer se hospedar por perto, uma alternativa é a cidade vizinha: Nazaré das Farinhas, a 10 km de Maragogipinho. melhore o texto

Um acervo que valoriza o fazer local

O acervo de artesanato do Instituto Mandarina reúne diversas peças produzidas em Maragogipinho. A curadoria, feita por arquitetos, selecionou cuidadosamente peças que, juntas, representam mais de R$ 5.000 investidos diretamente no comércio local.

E tem para todos os bolsos: há artesanatos de R$ 3 e R$ 5, muitos na faixa entre R$ 10 e R$ 50, até peças que chegam a R$ 350, como enormes vasos de barro.

Ao todo, são mais de 120 olarias espalhadas pela região. Depois de algumas visitas, selecionamos cinco das nossas preferidas para quem quiser conhecer Maragogipinho e descobrir de perto o trabalho dos artesãos locais:

Olaria Santo Antônio: Diversidade de peças que variam entre artesanatos mais típicos, como moringas, figas e panelas de barro, como itens mais criativos como um vaso em formato de mão, como segurassem as flores que podem ser depositadas ali.

Olaria da Taty: Você pode encontrar peças mais delicadas e com pinturas diferenciadas, como pátina em peças de barro.

Olaria Porta Estreita: Peças divertidas e cheias de cores, mensagens e símbolos, como os pratos com frases, itens com a temática do mar e também de orixás.

Olaria do Miro: Muito conhecida por peças robustas, como vasos de barro com mais de 1m e pratos com texturas e cores que chegam a 60 cm de diâmetro.

Olaria Ponto Chic:
Utilitários marcado por listras e cores, como vasinhos, pratos, porta-treco e incensários.

Para quem quer conhecer mais de perto e acompanhar o processo de produção das peças de barro, também é possível fechar uma vivência com artesãos, que mostram todo o processo, desde a preparação da argila e a criação da peça no torno até a queima. Alguns dos fornos utilizados têm mais de 200 anos e cerca de 20 m², onde são produzidos grandes vasos de barro.

Maragogipinho é um lugar que preserva a cultura através da arte, passando de geração em geração.

Mais do que levar uma peça bonita para casa, visitar Maragogipinho é conhecer quem faz, entender o processo e colocar o dinheiro diretamente na cadeia que mantém esse saber vivo. Por isso o Instituto Mandarina é fã e apoia a valorização da região.

A República Dominicana ocupa a maior parte da ilha de Hispaniola, no Caribe, compartilhada com o Haiti. Entre o azul intenso do mar, a cultura do cacau, do café e os mercados de artesãos, encontramos uma riqueza que vai muito além da paisagem: a identidade e a história de um povo.

Pertencimento e diversidade
Um dos símbolos mais marcantes da cultura são as bonecas sem traços definidos. Elas representam a diversidade do país e a união de diferentes origens que formaram sua população: povos indígenas taínos, africanos e espanhóis.

A natureza e o artesanato
O artesanato também revela a relação profunda dos dominicanos com a natureza: peixes, flamingos, galos, fibras naturais e objetos em palha aparecem em diferentes peças, mostrando como a natureza e o cotidiano inspiram a produção artesanal.

Há ainda o larimar, encontrada praticamente apenas na República Dominicana, uma pedra azul cuja cor remete ao mar do Caribe e que se tornou um dos maiores símbolos do país.

O cacau e o café também fazem parte dessa narrativa cultural. Além de produtos agrícolas, representam tradição, saberes passados entre gerações e oportunidades de trabalho para milhares de famílias.

E é isso que cativa o Mandarina: toda cultura que se mantém viva através do seu povo.

Já associamos o artesanato da Bahia ao do México diversas vezes, pelas cores, materiais e formas. As semelhanças entre essas tradições artesanais são marcantes e revelam afinidades culturais que atravessam fronteiras. Foi essa conexão que deu origem à exposição “Tramas y fibras: Tejidos y trenzados tradicionales de Bahía, Brasil”, no Museo Nacional de Culturas Populares, na Cidade do México.

Para o Instituto Mandarina, essa conquista tem um significado ainda mais especial. A exposição foi realizada pelos grandes curadores Rodrigo Lyra e Juci Reis, pessoas que compartilham conosco o compromisso com a valorização da cultura popular, dos patrimônios vivos e dos conhecimentos tradicionais brasileiros.

Ver esse trabalho ganhar projeção internacional reafirma a importância de iniciativas que aproximam comunidades, fortalecem mestres e artesãos e promovem o reconhecimento da riqueza cultural da Bahia em outros países.

A Bahia em destaque na Cidade do México
Integrando a programação da Noche de Museos, promovida pela Secretaria de Cultura da Cidade do México, a exposição conta com cerca de 40 peças produzidas por artesãs de 17 municípios baianos. Entre os trabalhos expostos estão utilitários, colares, itens decorativos, cestos e bolsas, produzidos com fibras naturais como sisal e algodão.

Além da exposição, a programação incluiu oficinas e encontros entre artesãs brasileiras e mexicanas, promovendo a troca de experiências sobre materiais, técnicas e processos criativos. Um intercâmbio que fortalece um aspecto essencial da cultura popular: o conhecimento cresce quando é compartilhado.

Um motivo de orgulho para o Instituto Mandarina
No Instituto Mandarina, acompanhamos e admiramos o trabalho de Rodrigo Lyra e Juci Reis. Ver uma iniciativa conduzida por eles ocupar um espaço de destaque em um dos mais importantes museus dedicados às culturas populares do mundo é motivo de celebração.

Aproveitamos para relembrar o reel que fizemos com Juci Reis (Flotar), diretamente do Museu de Arte Popular do México, onde ela nos contou exatamente sobre características dos artesanatos mexicanos e semelhanças com o artesanato da Bahia. Clique aqui para assistir.

Mais uma prova de que o patrimônio cultural brasileiro dialoga com o mundo, podendo inspirar novos encontros e ampliar o reconhecimento dos mestres e artesãs que mantêm essas tradições vivas. Preservar o patrimônio cultural é também criar oportunidades para que ele mantenha-se vivo através das novas gerações.

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