No Brasil, indígenas trabalham fibras naturais produzindo cestos. Na Península de Yucatán, no México, a fibra retirada do agave também atravessa séculos de história.

Entre natureza e cultura, nasce uma tradição que ainda hoje se entrelaça na vida cotidiana.

Muito antes da colonização, os Povos Maias já dominavam o trabalho com o henequén (fibra natural conhecida como sisal). De suas folhas surgiam cordas, trançados e utilitários do dia a dia. Um conhecimento preservado e transmitido de geração
para geração.

Com a chegada dos espanhóis, esse saber ancestral foi transformado em produção em grande escala nas “haciendas”, fornecendo cordas para navegação e no comércio. Atualmente, esses locais estão abandonados ou transformados em museus ou locais de eventos.

Por trás dessa riqueza, existiram histórias de exploração e trabalho forçado de comunidades indígenas.

Ainda assim, o conhecimento permaneceu. O trabalho com fibras naturais atravessou o tempo e inspirou uma diversidade de trançados, objetos e peças artesanais.

Além dos artistas contemporâneos que retratam o Carnaval em músicas, fotos, vídeos e tecidos, estão aqueles que registraram e eternizaram este movimento popular em telas conhecidas mundialmente.

Carybé
Imortalizou o Carnaval da Bahia com traços ágeis. Registrou trios elétricos, blocos afro, corpos em movimento e a grandiosidade ritualística da festa de rua.

Tarsila do Amaral
Registrou a festa com cores tropicais, geometrização e símbolos da brasilidade moderna. O Carnaval aparece como
paisagem urbana popular, misturando modernismo e identidade nacional.

DiCavalcanti
Um dos pintores mais associados ao Carnaval. Cenas de samba, rodas e bailes populares que traduzem o espírito festivo da cultura brasileira, como identidade e celebração.

Candido Portinari
Embora o Carnaval não seja o tema mais emblemático de Portinari, ele atravessa sua obra quando retrata festas populares e bailes como expressões da vida coletiva brasileira.

Heitor dos Prazeres
Sambista, compositor, participante ativo das primeiras escolas de samba do Rio. Pintava o que conhecia no corpo e retratou o Carnaval a partir de dentro, com cores vibrantes e cenas populares cheias de ritmo.

Artistas visuais, poetas da música, observadores da vida, que colocam o enredo dos bastidores no centro e mostram o Carnaval muito além da folia: na história e cotidiano de tanta gente.

Goya Lopes
Designer e artista plástica. Uma das pioneiras a valorizar e traduzir a cultura afro-baiana em estampas e objetos. No Carnaval, sua obra inspira ao vestir identidade e história, levando símbolos ancestrais para a rua e para o cotidiano.

Alberto Pitta
Artista visual e figurinista, referência na construção de uma estética afro-brasileira no Carnaval da Bahia. Seu trabalho com tecidos e estampas transforma o corpo em território de memória, ancestralidade e afirmação cultural, fazendo da festa um espaço político e simbólico.

Beatriz Milhazes
Artista plástica reconhecida por composições vibrantes e ornamentais, marcadas por cor, ritmo e repetição. Sua obra dialoga diretamente com o imaginário do Carnaval pela exuberância visual e pela celebração do excesso, evocando movimento, alegria e a pulsação festiva da cultura brasileira.

Bárbara Wagner
Artista visual e cineasta que investiga performance e cultura popular. O Carnaval surge em seu trabalho como linguagem coletiva, onde corpo, música e imagem revelam tensões sociais e potência estética.

Rimon Guimarães
Artista e designer ligado à criação visual do Carnaval, com atuação em figurinos, estampas e identidades gráficas. Seu trabalho parte de grafismos afro-brasileiros e do corpo em movimento, afirmando pertencimento, ancestralidade e celebração coletiva.

Lita Cerqueira
Fotógrafa e documentarista com trajetória ligada às manifestações populares do Brasil. No Carnaval, registra a festa a partir da vivência direta, captando rituais, corpos, fé e bastidores. Sua obra transforma o efêmero em memória viva, revelando a dimensão simbólica e ancestral do Carnaval.

Russo Passapusso
Cantor e compositor, uma das vozes centrais do Carnaval contemporâneo. À frente do grupo musical BaianaSystem, constrói uma relação orgânica com a rua, unindo percussão, eletrônico e posicionamento social. Vive o Carnaval como espaço de expressão coletiva, resistência e reinvenção cultural.