O Instituto Mandarina mergulhou em uma experiência sensorial e cultural no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC): a exposição e feira Origem – Artesanato de Matriz Indígena, em parceria com o Artesanato da Bahia.

Mais do que uma mostra de objetos, o evento foi uma celebração aos saberes e fazeres dos povos originários de diversas regiões da Bahia. A abertura, marcada por ritos de dança e canto, reforçou o convite para o que encontraríamos nos pavilhões do museu.

Caminhar pela exposição foi um reconhecimento de parte essencial da identidade do nosso estado. Artesanatos em palha, cerâmicas, acessórios e esculturas não são apenas itens decorativos. São histórias contadas através de cada detalhe.

A exposição Origem destaca-se pela curadoria que une o artesanato e design, posicionando a produção indígena também como arte contemporânea. As peças apresentadas refletem a cosmologia de diferentes etnias, utilizando matérias-primas sustentáveis e técnicas milenares que dialogam diretamente com os conceitos de preservação e economia criativa que sempre citamos.

Encontros que educam:

Um dos pontos altos da nossa visita foi o encontro com Jacarandá, do povo Tupinambá de Olivença. Em uma conversa inspiradora, ele nos apresentou, com muita abertura e gentileza, o livro que lançou junto com a sua companheira, no qual reuniram narrativas de professores indígenas.

“Esse livro é a narrativa de professores indígenas. Eu e minha companheira fizemos esse livro, mas são todos professores indígenas, porque é educação indígena para não indígena. Pode preparar: gente Tupinambá raiz”, compartilhou Jacarandá.

Para encontrá-lo, siga o perfil @tupinambaraiz no Instagram.

Um projeto literário que traz a importância da educação como ferramenta de desconstrução de estereótipos, permitindo que a cultura originária seja vista a partir de suas próprias vozes.

Para o Instituto Mandarina, apoiar e valorizar a cultura indígena é mais do que um compromisso institucional. É um exercício de profundo respeito e admiração por nossa ancestralidade. Ao darmos visibilidade a iniciativas como a Feira Origem, reafirmamos que o reconhecimento das nossas raízes são os pilares para um futuro mais justo e consciente.

Nascido em Salvador, em 1948, o artista plástico, cenógrafo e designer J. Cunha, ainda na infância, viu as fronteiras entre o candomblé e o catolicismo se diluírem na prática das ações de fé. Contexto que gerou ideias e a criação de símbolos que transformaram a iconografia baiana em uma linguagem universal, unindo raízes africanas, indígenas e populares.

As estampa do Ilê Aiyê – Por 25 anos, J. Cunha foi o responsável por criar a identidade visual do “Mais Belo dos Belos”, o Ilê Aiyê. Suas estampas icônicas codificaram o orgulho negro em tecidos, transformando o vestir em um manifesto visual de resistência e beleza.

Encontramos um e-book gratuito que celebra a trajetória de J. Cunha e sua colaboração com a identidade visual do Carnaval de Salvador.

A obra foi desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e a Fundação Cultural Palmares, editada pela Edufrb e pelo Selo Editorial Anjo Negro.

Para baixar gratuitamente, basta clicar aqui.

Como artista multifacetado, J. Cunha moldou o imaginário brasileiro . Um exemplo vivo de como a cultura é motor de transformação e a estética autêntica nasce da conexão com as nossas raízes. Sua obra continua pulsando como um símbolo de pertencimento e soberania cultural. Valores que o Instituto Mandarina se identifica, apoia e admira esse movimento.

Já imaginou visitar, no mesmo dia, duas exposições de artistas brasileiros com reconhecimento internacional, em museus bem próximos um do outro, em Salvador? Foi isso que aconteceu.

No Museu de Arte da Bahia, a exposição de uma das artistas brasileiras mais valorizadas no mundo! Beatriz Milhazes constrói suas obras a partir de camadas, colagens e padrões. Círculos, arabescos e cores vibrantes criam composições que lembram carnaval, natureza e ritmo. Elementos que dialogam com a estética e a energia da Bahia.

A exposição “100 sóis” reúne diferentes fases da artista e inclui trabalhos pensados especialmente para esse contexto, como obras que dialogam diretamente com suas referências culturais.

Do outro lado da rua, Vik Muniz está no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, com a ampla exposição “A Olho Nu”. O que vemos na parede é uma fotografia, mas por trás dela existe uma construção manual e minuciosa, que nos leva a reflexão sobre imagem, valor e percepção.

Vik constrói imagens com materiais inusitados: lixo, miniaturas e até chocolate!

Ter acesso gratuito a essas obras, em Salvador, é fascinante! E não é algo simples de fazer: envolve curadoria, logística, investimento e articulação global. Um movimento que posiciona a Bahia como protagonista no circuito cultural.

Um convite para viver a arte de perto e reconhecer a potência da nossa terra.