A conexão do Instituto Mandarina com a arquitetura faz parte da nossa história. Nossa fundadora, Neila Larangeira, é arquiteta e sempre cultivou um olhar atento para ambientes bem pensados, especialmente para aqueles que incorporam peças com identidade e propósito, capazes de gerar renda e valorizar o trabalho de artesãos.

Esse olhar se traduz em diferentes iniciativas do Mandarina: na proximidade com o Artesanato da Bahia, nas visitas a Maragogipinho, um dos mais importantes polos de cerâmica da América Latina, e no incentivo a projetos sociais que promovem o aprendizado de trabalhos manuais, como os desenvolvidos pelas Obras Sociais Irmã Dulce por meio do Centro Educacional Santo Antônio.

O nosso olhar está sempre voltado para a valorização do fazer manual e iniciativas que promovem a sustentabilidade. Por isso, visitar a CASACOR Bahia 2026 foi também um exercício de reconhecimento: encontrar, em diferentes ambientes, escolhas que dialogam com valores que fazem parte do nosso trabalho.

Foram dois meses de exposição no Convento da Mercês, na Avenida Sete, em Salvador. Uma construção com mais de 300 anos de história que foi berço para 47 ambientes criados por arquitetas(os) que manifestaram seus repertórios e perspectivas sob o tema “Mente e Coração”.

Ao longo da visita, encontramos soluções, materiais, objetos e histórias que conversam diretamente com a visão de mundo do Instituto Mandarina e selecionamos algumas para compartilhar aqui com vocês.

LOJA ARTESANATO DA BAHIA
Não tem mais como pensar em decoração, especialmente na Bahia, sem pensar em agregar valor ao ambiente através de peças artesanais. Peças de Maragogipinho e até feita em homenagem à região como o quadro abaixo, e outros lugares, estavam no leque de opções que os visitantes da CasaCor poderiam levar para casa e agregarem identidade ao seus espaços também.


LOJA MENINOS REI
Identidade, moda e arquitetura falam a mesma língua e a marca baiana Meninos Rei esteve presente na CasaCor com um espaço que não poderia ser diferente: criativo e cheio de personalidade, transpirando modernidade e identidade entre cores, materiais naturais e outros elementos que dialogam com a cultura afrobrasileira.

 

ECODESIGN
A Plasticaria chamou atenção pela proposta sustentável e estética atraente ao transformar resíduos plásticos descartados em móveis interessantes, como mesa e porta, mas, também, em obra de arte que ganhou o Prêmio Plasticaria promovido pela empresa.

O publicitário Lucas de Ouro recebeu o primeiro lugar com uma obra que a olho nú não era possível perceber, mas, com uma certa distância ou através da câmera do celular, as peças na parede ganhavam forma e davam vida ao olhar de Monalisa.

ESTULTURAS SUSTENTÁVEIS DE MADEIRA
A arte de Luciana Bittencourt esteve em um dos ambientes da CasaCor como um grande coração produzida a partir de raízes recolhidas em áreas da Chapada Diamantina atingidas por desmatamento.

Além disso, os arquitetos premiados por seus ambientes receberam troféus únicos feitos pela artista, cada um com sua própria forma. A iniciativa está ligada ao eixo de sustentabilidade adotado pela mostra nesta edição, marcada pela realização de um inventário de emissões com a metodologia GHG Protocol e pela publicação do primeiro relatório ESG do evento.

RELEITURA ARTÍSTICA
As esculturas de Eloisa Ugolini, feitas de livros, foram expostas no ambiente assinado pelo arquiteto Hugo Ribeiro e encantaram por valorizar de forma lúdica a leitura e disseminar uma ideia artística como solução para livros que não serão mais lidos, mas podem seguir atribuindo valor.

ESPAÇO EM HOMENAGEM À VIK MUNIZ
O Mandarina é apreciadora de Vik Muniz e já divulgou o trabalho do artista em outros conteúdos. Essa sinergia com as cores e formas das duas obras voltou o nosso olhar para o ambiente criado em sua homenagem pelo arquiteto Alex Sá. Além dos quadros e pertences pessoais de coleções cedidas por Vik, o espaço também foi marcado pela presença de móveis desenvolvidos pelo artista com forma de itens de costura, como pufes, mesas de centro e laterais em forma de almofadas de alfinete, botões e carreteis.


 
EXPOSIÇÃO DE AURELINDO DOS SANTOS
Além da homenagem a Vik Muniz, outro artista também foi prestigiado: Aurelino dos Santos, nascido em 1942, em Salvador. De maneira autodidata, ele desenvolveu uma linguagem artística muito própria, marcada por formas geométricas, cores vibrantes e representações singulares da paisagem urbana.

A presença da exposição de Aurelino na CASACOR Bahia reforça a importância de valorizar os artistas da casa e as diferentes formas de produzir e compreender a arte.

OUTROS AMBIENTES, IDEIAS E ALTERNATIVAS SUSTENTÁVEIS
O Instituto Mandarina esteve por três dias visitando os espaços, registrando e apreciando toda a estrutura do evento para trazer uma curadoria alinhada com os nossos valores para inspirar quem nos acompanha também por aqui.

 
Assim como alternativas sustentáveis que pudemos ver na CASACOR Bahia revela uma arquitetura como ferramenta de transformação para construir um mundo mais consciente. O Instituto Mandarina faz questão de parabenizar o desenvolvimento de um evento dessa magnitude com um olhar atento para as necessidades ambientais e sociais, indo muito além da estética.

Já associamos o artesanato da Bahia ao do México diversas vezes, pelas cores, materiais e formas. As semelhanças entre essas tradições artesanais são marcantes e revelam afinidades culturais que atravessam fronteiras. Foi essa conexão que deu origem à exposição “Tramas y fibras: Tejidos y trenzados tradicionales de Bahía, Brasil”, no Museo Nacional de Culturas Populares, na Cidade do México.

Para o Instituto Mandarina, essa conquista tem um significado ainda mais especial. A exposição foi realizada pelos grandes curadores Rodrigo Lyra e Juci Reis, pessoas que compartilham conosco o compromisso com a valorização da cultura popular, dos patrimônios vivos e dos conhecimentos tradicionais brasileiros.

Ver esse trabalho ganhar projeção internacional reafirma a importância de iniciativas que aproximam comunidades, fortalecem mestres e artesãos e promovem o reconhecimento da riqueza cultural da Bahia em outros países.

A Bahia em destaque na Cidade do México
Integrando a programação da Noche de Museos, promovida pela Secretaria de Cultura da Cidade do México, a exposição conta com cerca de 40 peças produzidas por artesãs de 17 municípios baianos. Entre os trabalhos expostos estão utilitários, colares, itens decorativos, cestos e bolsas, produzidos com fibras naturais como sisal e algodão.

Além da exposição, a programação incluiu oficinas e encontros entre artesãs brasileiras e mexicanas, promovendo a troca de experiências sobre materiais, técnicas e processos criativos. Um intercâmbio que fortalece um aspecto essencial da cultura popular: o conhecimento cresce quando é compartilhado.

Um motivo de orgulho para o Instituto Mandarina
No Instituto Mandarina, acompanhamos e admiramos o trabalho de Rodrigo Lyra e Juci Reis. Ver uma iniciativa conduzida por eles ocupar um espaço de destaque em um dos mais importantes museus dedicados às culturas populares do mundo é motivo de celebração.

Aproveitamos para relembrar o reel que fizemos com Juci Reis (Flotar), diretamente do Museu de Arte Popular do México, onde ela nos contou exatamente sobre características dos artesanatos mexicanos e semelhanças com o artesanato da Bahia. Clique aqui para assistir.

Mais uma prova de que o patrimônio cultural brasileiro dialoga com o mundo, podendo inspirar novos encontros e ampliar o reconhecimento dos mestres e artesãs que mantêm essas tradições vivas. Preservar o patrimônio cultural é também criar oportunidades para que ele mantenha-se vivo através das novas gerações.

Veja outras publicações da série O que a Bahia tem e o México tem também:

O Instituto Mandarina mergulhou em uma experiência sensorial e cultural no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC): a exposição e feira Origem – Artesanato de Matriz Indígena, em parceria com o Artesanato da Bahia.

Mais do que uma mostra de objetos, o evento foi uma celebração aos saberes e fazeres dos povos originários de diversas regiões da Bahia. A abertura, marcada por ritos de dança e canto, reforçou o convite para o que encontraríamos nos pavilhões do museu.

Caminhar pela exposição foi um reconhecimento de parte essencial da identidade do nosso estado. Artesanatos em palha, cerâmicas, acessórios e esculturas não são apenas itens decorativos. São histórias contadas através de cada detalhe.

A exposição Origem destaca-se pela curadoria que une o artesanato e design, posicionando a produção indígena também como arte contemporânea. As peças apresentadas refletem a cosmologia de diferentes etnias, utilizando matérias-primas sustentáveis e técnicas milenares que dialogam diretamente com os conceitos de preservação e economia criativa que sempre citamos.

Encontros que educam:

Um dos pontos altos da nossa visita foi o encontro com Jacarandá, do povo Tupinambá de Olivença. Em uma conversa inspiradora, ele nos apresentou, com muita abertura e gentileza, o livro que lançou junto com a sua companheira, no qual reuniram narrativas de professores indígenas.

“Esse livro é a narrativa de professores indígenas. Eu e minha companheira fizemos esse livro, mas são todos professores indígenas, porque é educação indígena para não indígena. Pode preparar: gente Tupinambá raiz”, compartilhou Jacarandá.

Para encontrá-lo, siga o perfil @tupinambaraiz no Instagram.

Um projeto literário que traz a importância da educação como ferramenta de desconstrução de estereótipos, permitindo que a cultura originária seja vista a partir de suas próprias vozes.

Para o Instituto Mandarina, apoiar e valorizar a cultura indígena é mais do que um compromisso institucional. É um exercício de profundo respeito e admiração por nossa ancestralidade. Ao darmos visibilidade a iniciativas como a Feira Origem, reafirmamos que o reconhecimento das nossas raízes são os pilares para um futuro mais justo e consciente.