Já associamos o artesanato da Bahia ao do México diversas vezes, pelas cores, materiais e formas. As semelhanças entre essas tradições artesanais são marcantes e revelam afinidades culturais que atravessam fronteiras. Foi essa conexão que deu origem à exposição “Tramas y fibras: Tejidos y trenzados tradicionales de Bahía, Brasil”, no Museo Nacional de Culturas Populares, na Cidade do México.

Para o Instituto Mandarina, essa conquista tem um significado ainda mais especial. A exposição foi realizada pelos grandes curadores Rodrigo Lyra e Juci Reis, pessoas que compartilham conosco o compromisso com a valorização da cultura popular, dos patrimônios vivos e dos conhecimentos tradicionais brasileiros.

Ver esse trabalho ganhar projeção internacional reafirma a importância de iniciativas que aproximam comunidades, fortalecem mestres e artesãos e promovem o reconhecimento da riqueza cultural da Bahia em outros países.

A Bahia em destaque na Cidade do México
Integrando a programação da Noche de Museos, promovida pela Secretaria de Cultura da Cidade do México, a exposição conta com cerca de 40 peças produzidas por artesãs de 17 municípios baianos. Entre os trabalhos expostos estão utilitários, colares, itens decorativos, cestos e bolsas, produzidos com fibras naturais como sisal e algodão.

Além da exposição, a programação incluiu oficinas e encontros entre artesãs brasileiras e mexicanas, promovendo a troca de experiências sobre materiais, técnicas e processos criativos. Um intercâmbio que fortalece um aspecto essencial da cultura popular: o conhecimento cresce quando é compartilhado.

Um motivo de orgulho para o Instituto Mandarina
No Instituto Mandarina, acompanhamos e admiramos o trabalho de Rodrigo Lyra e Juci Reis. Ver uma iniciativa conduzida por eles ocupar um espaço de destaque em um dos mais importantes museus dedicados às culturas populares do mundo é motivo de celebração.

Aproveitamos para relembrar o reel que fizemos com Juci Reis (Flotar), diretamente do Museu de Arte Popular do México, onde ela nos contou exatamente sobre características dos artesanatos mexicanos e semelhanças com o artesanato da Bahia. Clique aqui para assistir.

Mais uma prova de que o patrimônio cultural brasileiro dialoga com o mundo, podendo inspirar novos encontros e ampliar o reconhecimento dos mestres e artesãs que mantêm essas tradições vivas. Preservar o patrimônio cultural é também criar oportunidades para que ele mantenha-se vivo através das novas gerações.

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O Instituto Mandarina mergulhou em uma experiência sensorial e cultural no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC): a exposição e feira Origem – Artesanato de Matriz Indígena, em parceria com o Artesanato da Bahia.

Mais do que uma mostra de objetos, o evento foi uma celebração aos saberes e fazeres dos povos originários de diversas regiões da Bahia. A abertura, marcada por ritos de dança e canto, reforçou o convite para o que encontraríamos nos pavilhões do museu.

Caminhar pela exposição foi um reconhecimento de parte essencial da identidade do nosso estado. Artesanatos em palha, cerâmicas, acessórios e esculturas não são apenas itens decorativos. São histórias contadas através de cada detalhe.

A exposição Origem destaca-se pela curadoria que une o artesanato e design, posicionando a produção indígena também como arte contemporânea. As peças apresentadas refletem a cosmologia de diferentes etnias, utilizando matérias-primas sustentáveis e técnicas milenares que dialogam diretamente com os conceitos de preservação e economia criativa que sempre citamos.

Encontros que educam:

Um dos pontos altos da nossa visita foi o encontro com Jacarandá, do povo Tupinambá de Olivença. Em uma conversa inspiradora, ele nos apresentou, com muita abertura e gentileza, o livro que lançou junto com a sua companheira, no qual reuniram narrativas de professores indígenas.

“Esse livro é a narrativa de professores indígenas. Eu e minha companheira fizemos esse livro, mas são todos professores indígenas, porque é educação indígena para não indígena. Pode preparar: gente Tupinambá raiz”, compartilhou Jacarandá.

Para encontrá-lo, siga o perfil @tupinambaraiz no Instagram.

Um projeto literário que traz a importância da educação como ferramenta de desconstrução de estereótipos, permitindo que a cultura originária seja vista a partir de suas próprias vozes.

Para o Instituto Mandarina, apoiar e valorizar a cultura indígena é mais do que um compromisso institucional. É um exercício de profundo respeito e admiração por nossa ancestralidade. Ao darmos visibilidade a iniciativas como a Feira Origem, reafirmamos que o reconhecimento das nossas raízes são os pilares para um futuro mais justo e consciente.

A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira foi realizada no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras. Uma exposição imersiva, educativa, sensorial e surpreendente.

Enquanto muitos eventos têm falado sobre o futuro, a Bienal escolheu olhar para as origens, transbordando, em cada ambiente, a cultura artesanal de diferentes regiões do país. O conceito central foi o Brasil como território, organizando os ambientes a partir dos biomas brasileiros, num retrato vivo da diversidade do nosso país.

Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal. Cada espaço apresentava projetos de arquitetos de diferentes estados, conectando clima, cultura local, materiais regionais e modos de morar. Mais do que estética, a mostra revelava como a arquitetura brasileira nasce da relação entre pessoas, regiões, memória e saberes transmitidos ao longo das gerações.

Tecidos naturais, barro, madeira, palha, tramas, pigmentos naturais e técnicas ancestrais apareciam não como detalhes decorativos, mas como protagonistas. Em vez de esconder as marcas do fazer manual, a Bienal celebrava as suas características, texturas e singularidades que tornam cada peça única.

Quartos:

 

Os ambientes inspiravam e convidavam à reflexão: como podemos trazer essas referências para os nossos próprios espaços de maneira mais consciente? Como construir casas, relações e cidades que respeitem as origens, os territórios e as pessoas que produzem cultura com as próprias mãos?

Salas:

 

Essa visão conversa diretamente com o trabalho que realizamos no Instituto Mandarina. Assim como a Bienal evidenciou a potência dos saberes artesanais brasileiros, o Mandarina acredita no fazer manual como ferramenta de transformação social, autonomia e preservação cultural. Cada peça produzida, cada oficina realizada e cada história compartilhada carrega história e identidade.

Em um tempo marcado pela produção acelerada e pela padronização, valorizar o artesanal também é um ato de transformação. É reconhecer que o cuidado está nos processos, nas pessoas e nas narrativas que existem por trás das criações.

Cozinhas e banheiros:

 

A Bienal nos lembrou que inovação não significa ruptura com o passado. Muitas vezes, o futuro mais sustentável e humano nasce justamente da capacidade de olhar para trás e fortalecer os saberes que já existem. E talvez seja esse um dos maiores ensinamentos deixados pela experiência: quando cultura, arquitetura, arte e artesanato se encontram, os espaços passam a contar sobre quem somos.