A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira foi realizada no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras. Uma exposição imersiva, educativa, sensorial e surpreendente.

Enquanto muitos eventos têm falado sobre o futuro, a Bienal escolheu olhar para as origens, transbordando, em cada ambiente, a cultura artesanal de diferentes regiões do país. O conceito central foi o Brasil como território, organizando os ambientes a partir dos biomas brasileiros, num retrato vivo da diversidade do nosso país.

Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal. Cada espaço apresentava projetos de arquitetos de diferentes estados, conectando clima, cultura local, materiais regionais e modos de morar. Mais do que estética, a mostra revelava como a arquitetura brasileira nasce da relação entre pessoas, regiões, memória e saberes transmitidos ao longo das gerações.

Tecidos naturais, barro, madeira, palha, tramas, pigmentos naturais e técnicas ancestrais apareciam não como detalhes decorativos, mas como protagonistas. Em vez de esconder as marcas do fazer manual, a Bienal celebrava as suas características, texturas e singularidades que tornam cada peça única.

Quartos:

 

Os ambientes inspiravam e convidavam à reflexão: como podemos trazer essas referências para os nossos próprios espaços de maneira mais consciente? Como construir casas, relações e cidades que respeitem as origens, os territórios e as pessoas que produzem cultura com as próprias mãos?

Salas:

 

Essa visão conversa diretamente com o trabalho que realizamos no Instituto Mandarina. Assim como a Bienal evidenciou a potência dos saberes artesanais brasileiros, o Mandarina acredita no fazer manual como ferramenta de transformação social, autonomia e preservação cultural. Cada peça produzida, cada oficina realizada e cada história compartilhada carrega história e identidade.

Em um tempo marcado pela produção acelerada e pela padronização, valorizar o artesanal também é um ato de transformação. É reconhecer que o cuidado está nos processos, nas pessoas e nas narrativas que existem por trás das criações.

Cozinhas e banheiros:

 

A Bienal nos lembrou que inovação não significa ruptura com o passado. Muitas vezes, o futuro mais sustentável e humano nasce justamente da capacidade de olhar para trás e fortalecer os saberes que já existem. E talvez seja esse um dos maiores ensinamentos deixados pela experiência: quando cultura, arquitetura, arte e artesanato se encontram, os espaços passam a contar sobre quem somos.

Já imaginou visitar, no mesmo dia, duas exposições de artistas brasileiros com reconhecimento internacional, em museus bem próximos um do outro, em Salvador? Foi isso que aconteceu.

No Museu de Arte da Bahia, a exposição de uma das artistas brasileiras mais valorizadas no mundo! Beatriz Milhazes constrói suas obras a partir de camadas, colagens e padrões. Círculos, arabescos e cores vibrantes criam composições que lembram carnaval, natureza e ritmo. Elementos que dialogam com a estética e a energia da Bahia.

A exposição “100 sóis” reúne diferentes fases da artista e inclui trabalhos pensados especialmente para esse contexto, como obras que dialogam diretamente com suas referências culturais.

Do outro lado da rua, Vik Muniz está no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, com a ampla exposição “A Olho Nu”. O que vemos na parede é uma fotografia, mas por trás dela existe uma construção manual e minuciosa, que nos leva a reflexão sobre imagem, valor e percepção.

Vik constrói imagens com materiais inusitados: lixo, miniaturas e até chocolate!

Ter acesso gratuito a essas obras, em Salvador, é fascinante! E não é algo simples de fazer: envolve curadoria, logística, investimento e articulação global. Um movimento que posiciona a Bahia como protagonista no circuito cultural.

Um convite para viver a arte de perto e reconhecer a potência da nossa terra.