O Instituto Mandarina mergulhou em uma experiência sensorial e cultural no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC): a exposição e feira Origem – Artesanato de Matriz Indígena, em parceria com o Artesanato da Bahia.

Mais do que uma mostra de objetos, o evento foi uma celebração aos saberes e fazeres dos povos originários de diversas regiões da Bahia. A abertura, marcada por ritos de dança e canto, reforçou o convite para o que encontraríamos nos pavilhões do museu.

Caminhar pela exposição foi um reconhecimento de parte essencial da identidade do nosso estado. Artesanatos em palha, cerâmicas, acessórios e esculturas não são apenas itens decorativos. São histórias contadas através de cada detalhe.

A exposição Origem destaca-se pela curadoria que une o artesanato e design, posicionando a produção indígena também como arte contemporânea. As peças apresentadas refletem a cosmologia de diferentes etnias, utilizando matérias-primas sustentáveis e técnicas milenares que dialogam diretamente com os conceitos de preservação e economia criativa que sempre citamos.

Encontros que educam:

Um dos pontos altos da nossa visita foi o encontro com Jacarandá, do povo Tupinambá de Olivença. Em uma conversa inspiradora, ele nos apresentou, com muita abertura e gentileza, o livro que lançou junto com a sua companheira, no qual reuniram narrativas de professores indígenas.

“Esse livro é a narrativa de professores indígenas. Eu e minha companheira fizemos esse livro, mas são todos professores indígenas, porque é educação indígena para não indígena. Pode preparar: gente Tupinambá raiz”, compartilhou Jacarandá.

Para encontrá-lo, siga o perfil @tupinambaraiz no Instagram.

Um projeto literário que traz a importância da educação como ferramenta de desconstrução de estereótipos, permitindo que a cultura originária seja vista a partir de suas próprias vozes.

Para o Instituto Mandarina, apoiar e valorizar a cultura indígena é mais do que um compromisso institucional. É um exercício de profundo respeito e admiração por nossa ancestralidade. Ao darmos visibilidade a iniciativas como a Feira Origem, reafirmamos que o reconhecimento das nossas raízes são os pilares para um futuro mais justo e consciente.

A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira foi realizada no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras. Uma exposição imersiva, educativa, sensorial e surpreendente.

Enquanto muitos eventos têm falado sobre o futuro, a Bienal escolheu olhar para as origens, transbordando, em cada ambiente, a cultura artesanal de diferentes regiões do país. O conceito central foi o Brasil como território, organizando os ambientes a partir dos biomas brasileiros, num retrato vivo da diversidade do nosso país.

Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal. Cada espaço apresentava projetos de arquitetos de diferentes estados, conectando clima, cultura local, materiais regionais e modos de morar. Mais do que estética, a mostra revelava como a arquitetura brasileira nasce da relação entre pessoas, regiões, memória e saberes transmitidos ao longo das gerações.

Tecidos naturais, barro, madeira, palha, tramas, pigmentos naturais e técnicas ancestrais apareciam não como detalhes decorativos, mas como protagonistas. Em vez de esconder as marcas do fazer manual, a Bienal celebrava as suas características, texturas e singularidades que tornam cada peça única.

Quartos:

 

Os ambientes inspiravam e convidavam à reflexão: como podemos trazer essas referências para os nossos próprios espaços de maneira mais consciente? Como construir casas, relações e cidades que respeitem as origens, os territórios e as pessoas que produzem cultura com as próprias mãos?

Salas:

 

Essa visão conversa diretamente com o trabalho que realizamos no Instituto Mandarina. Assim como a Bienal evidenciou a potência dos saberes artesanais brasileiros, o Mandarina acredita no fazer manual como ferramenta de transformação social, autonomia e preservação cultural. Cada peça produzida, cada oficina realizada e cada história compartilhada carrega história e identidade.

Em um tempo marcado pela produção acelerada e pela padronização, valorizar o artesanal também é um ato de transformação. É reconhecer que o cuidado está nos processos, nas pessoas e nas narrativas que existem por trás das criações.

Cozinhas e banheiros:

 

A Bienal nos lembrou que inovação não significa ruptura com o passado. Muitas vezes, o futuro mais sustentável e humano nasce justamente da capacidade de olhar para trás e fortalecer os saberes que já existem. E talvez seja esse um dos maiores ensinamentos deixados pela experiência: quando cultura, arquitetura, arte e artesanato se encontram, os espaços passam a contar sobre quem somos.

Já imaginou visitar, no mesmo dia, duas exposições de artistas brasileiros com reconhecimento internacional, em museus bem próximos um do outro, em Salvador? Foi isso que aconteceu.

No Museu de Arte da Bahia, a exposição de uma das artistas brasileiras mais valorizadas no mundo! Beatriz Milhazes constrói suas obras a partir de camadas, colagens e padrões. Círculos, arabescos e cores vibrantes criam composições que lembram carnaval, natureza e ritmo. Elementos que dialogam com a estética e a energia da Bahia.

A exposição “100 sóis” reúne diferentes fases da artista e inclui trabalhos pensados especialmente para esse contexto, como obras que dialogam diretamente com suas referências culturais.

Do outro lado da rua, Vik Muniz está no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, com a ampla exposição “A Olho Nu”. O que vemos na parede é uma fotografia, mas por trás dela existe uma construção manual e minuciosa, que nos leva a reflexão sobre imagem, valor e percepção.

Vik constrói imagens com materiais inusitados: lixo, miniaturas e até chocolate!

Ter acesso gratuito a essas obras, em Salvador, é fascinante! E não é algo simples de fazer: envolve curadoria, logística, investimento e articulação global. Um movimento que posiciona a Bahia como protagonista no circuito cultural.

Um convite para viver a arte de perto e reconhecer a potência da nossa terra.